<%@LANGUAGE="JAVASCRIPT" CODEPAGE="CP_ACP"%> Histórias do Padre Teixeira
 

Já há tempos penso em colocar no site da Futurong, para os amigos, algumas histórias que escrevi no passado, há muitos anos atrás. Chegou o momento.
Histórias que retratam uma época, mas que ainda podem levar alguma luz para o nosso tempo e alegrar-nos
.
A MOSQUINHA
HOMEM NÃO CHORA
O DRAMA

O chefe intelectual de todo o grupo era um dos meninos mais pequenos, fisicamente, mas o mais inteligente de todos.
Quando havia problema, já se sabia quem tinha sido o promotor: o Zézinho.
Testa muito alta, olhos observadores e boca feita de um traço só: Não ria nunca.
Delicado nos modos, na maneira de falar, ele manejava os grandes: eram marionetes nas mãos dele.
O padre soube que ele saía todas as manhãs de casa, na hora certa, de pasta debaixo do braço para ir à escola, ou melhor, para que a mãe julgasse que ia para a escola...
Porque o que acontecia, na realidade, era que já tinha um buraco numa parede onde deixava a pasta com os livros e ia brincar para a rua, ganhar dinheiro tomando conta dos carros que estacionavam no lugar (se não pagavam, os pneus apareciam furados),
a comer o que lhe apetecia, fumar, etc.
O Zézinho, de vez em quando, se zangava com o padre e então aprontava!
Num domingo de “acerto de contas” tocou-lhe ajudar à Missa, levando as galhetas
(pequenos vasos onde se coloca a água e o vinho para a celebração).
Tudo decorria impecavelmente: cada um em seu lugar, com postura natural mas elegante.
Até que chegou o Ofertório, quando se aproximaram dois deles: Um com a toalha e o lavabo e o Zézinho, que ao entregar as galhetas, avisou ao padre tão discretamente que ninguém mais notou:
-“Senhor Doutor, tem uma mosquinha dentro!”
Também, muito discretamente, o padre agradeceu o aviso, tirou a mosca e continuou a Missa o mais piedosamente que pode.
Mas compreendeu perfeitamente a mensagem:
“-Não aborreça, senão terá sempre uma mosca na galheta do vinho!”

A igreja estava bonita. Francamente bonita e bem cuidada: limpa e iluminada.
Um neoclássico de 1830 em que as talhas do sacrário, revestidas de panos de ouro, se sobressaiam no conjunto do retábulo, enquadrando uma grande pintura.
O órgão, tocado por uma das melhores organistas da cidade, professora do Conservatório, o coro bem afinado, composto de bastantes vozes, dando uma nota humana à música potente do órgão, tudo contribuía para a grandiosidade da celebração litúrgica.
Neste ambiente caía muito bem o numeroso grupo de ajudantes, com idade que variavam dos sete aos quatorze anos.
A Missa iniciava-se pela procissão:
À frente ia o Crucifixo, depois as velas, os ajudantes da comunhão, e os outros mais. As crianças, com suas túnicas brancas, tinham caras de anjos, ( dentro do possível).
O padre fechava o cortejo que entrava, solenemente, pela porta principal e os assistentes gostavam. Gostavam muito!
Mas nem tudo que reluz é ouro!
Os “anjos” mentiam, procuravam levar vantagem uns sobre os outros, e se fosse preciso, batiam.
Porém as pessoas presentes nem se davam conta do que se passava nos bastidores, onde o mundo era outro.
Uns dez minutos antes da Missa chegavam correndo os maiores, já gritando pelo corredor:
-“Quero me confessar primeiro, eu que tenho pecado mortal!”
Respeito humano não existia nem era conhecido naquela vizinhança!
Como o padre confessava primeiro os que se diziam mais pecadores (nem sempre o eram); pelo menos neste caso, o pecado mortal levava a vantagem do pecador não ficar para o fim.
No meio da algazarra, algum que outro palavrão e empurrão, acabavam por estar prontos para ajudar o padre na Santa Missa, e tudo decorria normalmente até ao final.
Mas num domingo houve problemas: no final, o Chico aproximou-se, a chorar, do sacerdote que já se estava desparamentando.
- “O que foi, Chico?”
“-” É que houve um engano na Missa, e todos passaram bofetadas, menos eu, que era o último e não tinha em quem bater!”
Explicação necessária: Quando havia um erro, por pequeno que fosse, nas funções dos ajudantes, o padre fazia um imperceptível sinal com os olhos para quem estava mais próximo, para que se corrigisse a falta e este passava o aviso ao seguinte até se chegar ao destinatário.
Só que eles tinham um processo próprio de transmissão de recados: batia-se em quem estava mais perto e este no seguinte, até chegar ao que se tinha enganado. Mas às vezes se entusiasmavam e as batidas não ficavam por aí: chegavam até ao fim.
E foi isto que aconteceu ao Chico naquele dia aziago!
É interessante notar que ninguém, nem mesmo o padre, notava nada de anormal na atuação dos pequenos ajudantes, pois tudo era feito com muita classe, até bater no próximo.

Algumas vezes a igreja era palco de um reboliço bem intenso e o padre precisava então de algo para aquietar a sua consciência (como se lembrar dos “Autos” da Idade Média, que eram peças de teatro de temas religiosos representadas dentro das igrejas).
Como no dia em que entrou na igreja e se deparou com um espetáculo insólito:
Uns trinta meninos soltos lá dentro, sozinhos e fazendo um verdadeiro circo.
O Zézinho, que mal chegava ao ambão, fingia que fazia as leituras da Missa ao microfone, outros imitavam o padre rezando a Missa no altar, outros, menos intelectuais, aproveitavam o momento para, depois de uma boa corrida, deslizar pelo assoalho bem encerado do corredor central...
O padre chamou o sacristão, Sr. Ribeiro, para ajudar a pôr tudo em ordem e quase todos obedeceram, menos alguns, mais rebeldes, que resolveram fugir velozmente.
E a caçada foi de tal vulto que ele espera que só os anjos o tenham visto correndo, de batina, de banco em banco, atrás dos revoltosos, mas acredita que Deus não deixou de achar graça ao conjunto da representação. (Ele bem que parecia estar sorrindo lá da cruz)
Porque Ele sabia que não o faziam por mal, estes seus filhos tão pequenos e tão abandonados.

 
 
O CIRCO NA IGREJA
O TERÇO MINHOCÃO
O TÓ

Havia respeito, ou melhor, havia um respeito relativo dentro da igreja, mas o padre tinha se firmado como líder e juiz daquela turma de garotos de rua com a atenção e carinho que lhes dava, e , diga-se de passagem, também, por ter noções de artes marciais, o que impunha respeito.
Inspirados nas cenas de um seriado de monge oriental, mestre em artes marciais que passava na TV nesta época, os meninos queriam lutar com o Padre para ver quem era quem.
Mas, usando a cabeça, o padre os colocava numa escada onde cabiam só dois em cada degrau e os enfrentava, vencendo sempre.
Se o respeito era devido aos dotes de lutador de Karatê ou a sua condição de padre, só Deus sabe!
E era por estas e por outras que, os meninos, quando tinham problemas entravam na igreja, todos em fila, procurando por justiça junto do padre.
Com os ânimos alterados, seguiam o líder, que era também o porta-voz, para que o padre resolvesse o problema com urgência: Quase sempre a culpada era a bola.
O padre comprou uma bola para a meninada e jogava com eles no corredor da igreja, sempre que podia, mas o número de fiéis aumentou muito e o número de garotos também; então o tempo do Padre ficou curto e o corredor pequeno demais.
E passaram a jogar na rua!
A bola era entregue a um menino que tinha mais autoridade e o jogo começava muito animado... Mas era proibido jogar na rua e os comerciantes das imediações- que sofriam a implacável lógica da bola- muitas vezes não estavam de acordo, apesar de saberem que estando ocupados, os meninos deixavam de fazer coisas piores.
E quando surgiam problemas lá iam eles, discutindo e falando alto dentro da igreja, ao encontro do padre, esperando um julgamento imediato, justo e razoável.
E se o padre estivesse, como na maioria das vezes, confessando alguém, o problema não era deles: abriam a cortina do confessionário e apresentavam a questão, para espanto da pessoa que se confessava.
O padre pedia licença para a pobre alma arrependida, e luzes ao Espírito Santo para dar rapidamente a sentença justa... E problema resolvido, eles voltavam ao jogo.
Fiéis, meninos, comerciantes, vidros partidos, perigo iminente de boladas... O padre teve que desenvolver muito seu talento de diplomata, mas tudo terminava na paz do Senhor.

Eram três irmãos.
Meninos um pouco rudes: o mais novo deles quase matou o Sr. Ribeiro, o sacristão: atirou-lhe um pedaço de ferro à cabeça que errou o alvo e foi bater com estrondo na porta da igreja.
Se tivesse acertado, a história seria outra.
E só parou com os palavrões depois de se acalmar com a presença do padre, que já infundia algum respeito: já era reconhecido como o mais forte.
A dimensão espiritual ainda não tinha muita força! E todos eles tinham muito mau gênio: eram assim, mas por trás daqueles modos havia coração.
E foi por intermédio do Chico, que, de certo modo, nasceu o terço - minhocão.
O padre estava, certo dia, na sacristia- uma peça toda em madeira de lei por traz do altar-mor; preparando o cálice para a Missa do dia seguinte. (Os meninos estavam, como sempre, por toda a parte.)
Não havia a mínima privacidade dentro daquela igreja!
E como já era de costume também lá estavam o Nuno e o Chico: Nuno, com cara de mau, conversava, e o Chico lia o Timtim.
O terço, que estava partido, e por isso era chamado de minhocão pelo padre, caiu e ele ao colocá-lo de volta sobre a cômoda onde se guardava os paramentos, lembrou-se de perguntar ao Nuno se ele não queria rezar.
Ele nunca tinha rezado, não sabia, mas queria experimentar; já o Chico, diante do mesmo convite, respondeu com má cara que não e continuou a ler a revista.
O padre começou a ensinar, lendo a introdução dos Mistérios e os dois foram rezando e andando de um lado para o outro.
“Te incomoda Chico”?”
–“Não, não incomoda”... Má cara.
No dia seguinte soube-se que o Nuno tinha espalhado pelo bairro ter rezado cinqüenta e três Ave-Marias com o padre! E à tarde lá estava ele, disposto a nova dose!
O Chico não resistiu!
Com a mesma má cara, se associou, com direito a ler as introduções dos Mistérios também.
E assim começou a guerra, pois vieram os outros, muitos... Todos para rezar, ler e recitar.
Foi preciso organizar turnos, mas mesmo assim, o terço foi sempre “sui-generis”:
-“Ó Senhor Padre, ele é bruto, não sabe ler bem”. dizia um deles.
Resposta do atingido: -” Vai a m...”. e continuava:” Ave Maria, cheia...”
E, a partir dessa época o terço- minhocão foi muito manuseado.
Estabeleceu-se um rito: O terço ficava na cômoda, esticado, e quem recitava aquele Mistério, ia apertando com o dedo cada conta... com algum palavrão entre as Ave- Marias, alguma pequena luta, mas tudo acabava em honra e louvor de Nossa Senhora...

 

Era mais um dos moleques que estavam sempre na Igreja, mas este era um tanto diferente, e o padre se lembra dele muito bem. Cara de levado, corpo franzino, olhos enormes.
Entrava na Igreja, sentava-se, assistia um pouco à Missa. Quando se cansava ia embora...
Mas sua saída da igreja era sempre um acontecimento:
De passagem ia dando socos no ar, muito próximo da cara das pobres velhas que estavam nas extremidades dos bancos e que assistiam devotamente a Santa Missa.
E não contente com isto, quando chegava à porta, voltava-se para trás e gritava: ”- Ó padre careca, ó filho da p...” e tranquilamente saía, para evitar consequências, talvez comentários malévolos por parte daquela gente antiquada e velha, que não entendiam as crianças.
Esta falta de compreensão impressionava muito mal o Tó.
Por mais que ele concordasse quando o Padre lhe explicava que não era certo fazer o que fazia nem o que dizia dentro da Igreja: ”- O Senhor Doutor tem toda a razão!” às vezes, na saída, esquecia os bons propósitos e repetia toda a cena.
Isso foi a gota que transbordou dando origem aos grupos pró e contra os garotos que frequentavam a Igreja.
Um dia ele não apareceu e vieram contar que ele tinha sido atropelado. Mais dia menos dia, pois viviam correndo no meio dos carros, todos eles eram atropelados.
Contaram que o tinham levado para casa, ajudado a se deitar e até lhe dado um chá de limão.
E que ele parecia bem, só que muito quieto, sem dizer nada, só olhando atentamente o que se passava ao seu redor.
Enquanto contavam isto ao padre, com muitos detalhes, segurando uns bolinhos que iriam levar ao acidentado, aparece o Tó, muito murcho.
Tinha ficado imprensado entre dois carros, mas não tinha nada quebrado, só doía-lhe o corpo todo, muito!
Mas como lhe brilharam os olhos quando soube que os bolos eram para ele. _ “Para mim?”
E o acidente mudou o Tó! O fez pensar!
Nunca mais ofereceu pancadas as velhotas nem disse palavrões ao Senhor Doutor durante a celebração da Santa Missa.


 
O PRÍNCIPIO
OS TRINTA TERÇOS
A GUERRA DAS VASSOURAS
O padre foi para uma Igreja neoclássica, conservada e bem situada entre a cidade velha e a nova. Da Irmandade das Almas
Toda esta área antiga, monumental, estava habitada por famílias com muitos filhos, que com o passar do tempo acabara invadindo as velhas mansões da região.
No começo não havia muito a fazer: Missa diária e confissões: No primeiro dia havia umas três senhoras idosas, uma menina e um cachorro.
Mas, tudo começou naturalmente. As menininhas pequenas levadas por suas avós traziam pela mão os irmãozinhos, mais pequenos ainda, à Igreja.
Gostavam de entrar lá e imitar as pessoas grandes. Às vezes, por causa do calor, os mais pequenos iam à Adão, outras vezes com umas calças que tinham só uma alça em diagonal a prender o conjunto.
Quando viam o padre, a princípio se assustavam, mas ao notar que não as escorraçava, se animavam e deixavam-se estar, mas não por muito tempo... Um arremedo de oração, um beijo pegajoso no vidro que cobria a imagem do Senhor morto (O altar do Senhor morto, por estar mais ao alcance delas era o mais visado: flores apanhadas no lixo e beijos melados- ai os narizes! - eram constantes.)... e retirada.
Mas voltavam, depois à Igreja, que com sua beleza majestosa, seus santos, e dourados e a penumbra silenciosa que convidava a meditação, as atraia.
Depois vieram os irmãos maiores, (estes mais por curiosidade, para ver quem era quem) e depois vieram os companheiros e uma vez terreno conquistado, a surpresa de encontrar um padre amigo, que além de falar com eles, deixá-los jogar bola no corredor da Igreja, ainda, às vezes, tinha tempo de jogar também... ficaram fregueses.
Mas o número de crianças foi aumentando e o trabalho de confessionário também, já não havia tempo para estar com eles... Como fazer?
Para mantê-los ocupados o padre inventou uma importante missão: Limpar as chaves da Igreja!
Eram mais de cem chaves, de todos os tamanhos, tipos e feitios, mas todas velhas e enferrujadas, que precisavam ser lixadas uma a uma para ficarem brilhantes.
Trabalho de Penélope, que nunca terminava, pois a umidade da Igreja fazia o brilho desaparecer rapidamente, mas foi feito com carinho, e apesar dos maus hábitos (alguns começaram a roubar aos cinco anos) só duas chaves “sumiram”.
E assim, pouco a pouco, o padre ficou conhecendo todos os problemas, anseios, deficiências, grandezas e misérias- morais e físicas- do lugar.
No início o padre tinha muito tempo. Costumava rezar o breviário no confessionário, esperando que viessem os penitentes.
Vinham muito poucos. Na prática, só senhoras idosas. Depois uma ou outra trazia uma netinha.
Aos poucos foi aumentando o número de pessoas que vinham falar com o padre. Passado três meses, eram multidão.
Entretanto o padre foi aprendendo muito com esta nova atividade.
Era um engenheiro que se ordenou padre aos trinta e dois anos.
Foi o começo de uma aprendizagem fecunda, que não parou de se desenvolver ao longo da vida.
Mas voltemos.
Naqueles dias, ao falar com uma das senhoras, muito idosa, aconselhou-a que, por devoção, rezasse mais um terço diariamente e ela, de um modo muito candido lhe respondeu que já rezava trinta
“– Seria conveniente rezar mais um?”
E o padre ficou pensando que a força da Igreja não estava sustentada pelas grandes obras de todo o tipo, humano ou social, mas por estas pessoas simples e desconhecidas que com uma fé profunda, rezavam, e conseguiam de Deus grandes milagres
 

No princípio só um menino ajudava a Missa, mas depois começaram a vir outros e mais outros e vieram muitos.
O grande salto foi quando umas senhoras fizeram umas túnicas brancas com uma faixa azul na cintura: isto os encantou!
Eles se ensinavam uns aos outros, com muita rapidez, o que devia ser feito, e o problema do padre, neste caso, era encontrar trabalho e ministério para doze ajudantes.
Uns levavam os círios, outros ajudavam diretamente no altar, outros faziam a coleta,
(ministério muito cobiçado) outros ainda ajudavam a dar a comunhão segurando a bandeja etc.
Havia então dois grupos: Maiores, de doze a quatorze anos, e menores, de seis a dez anos, mais ou menos, pois o grande divisor de águas, eram o tamanho das túnicas e o volume das
cabeças que tinham que passar na abertura superior.
Um rodízio pré- estabelecido entre as turmas fazia que, nas Missas de domingo tudo corresse anormalmente normal, até que um deles apareceu na Sacristia, pouco antes da Missa, a chorar.
“- Que aconteceu?”
_ “É que hoje, Senhor Padre, era nossa vez, mas os mais pequenos atacaram- nos quando íamos entrara na igreja, e não nos deixaram entrar.”
Os pequenos, calados, estavam prontos, impecáveis nas suas túnicas.
O padre estranhou e quis saber como tinha sido a briga e ficou sabendo que havia sido feito um depósito de munições, com antecedência, atrás das portas imensas da entrada da igreja: cabos de vassoura em quantidade.
Os pequenos, já prontos e armados com os paus, tinham combinado chegar antes, vestir as túnicas, e esperar os grandes, que chegavam sempre à última hora.
E assim suplantaram e venceram o inimigo, mais poderoso, mas que não estava preparado para a batalha.
Nesse dia a homilia foi sobre a justiça e a caridade. Também poderia ter sido sobre a ira e o egoísmo. O padre achou que a semente não caiu em bom terreno.


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